"Não importa como o homem morre, mas como ele vive".
Samuel Johnson (1709-1784, escritor britânico)
Pensando assim, considero cada dia como sendo um dia especial e por isso tento fazer de cada momento, por mais simples que ele seja, um momento perfeito. Juntar os amigos para jogar conversa, andar de moto e sentir o vento cortando o rosto, deixar a emoção fluir ao ver uma criança sorrir, dizer “eu te amo” pras pessoas que realmente amo. São coisas simples, mas que só podem ser apreciadas se vivermos intensamente o agora, o hoje. Viver cada dia como se fosse o último, as pessoas dizem isso, mas na maioria dos casos é da boca pra fora. Pense o seguinte: Se você recebesse uma notícia hoje dizendo que terá apenas mais três meses de vida e que nesse tempo gozará de plena saúde para fazer o que quiser. O que você faria com o seu tempo?
Como combinado, hoje vou contar pra vocês o derradeiro fim da minha Pequena. Em fevereiro de 2006 resolvi vendê-la para adquirir uma nova moto, um pouco mais nova, uma vez que ela já beirava os 50.000 km rodados. Um amigo me indicou uma loja em Vila Isabel, a Moto Vila. Fomos até lá para conversar com o Léo, dono da loja, e ele prometeu que em menos de uma semana tudo estaria resolvido e eu receberia o valor que realmente queria. Para encurtar o papo, no final das contas o tal Léo, aparentemente uma ótima pessoa, vendeu minha Pequena, fechou a loja e sumiu, desapareceu, escafedeu-se.
Fiquei com o prejuízo e abri uma queixa criminal. Soube que ele já foi depor, chorou e disse que iria acertar tudo. Porém sumiu novamente e com isso cada vez mais diminui minhas chances de rever ou a minha pequena ou o valor prometido. Uma dica: nunca deixe veículos em consignação em lojas que não sejam representantes autorizadas das marcas, ou você poderá ter problemas.
Mas isso já é passado. Vamos deixar esse assunto de lado, voltar ao papo das viagens, que é o que realmente interessa, e falar da expedição “Prova de Fogo”.
Enquanto planejava a próxima grande Expedição Solitária, decidi realizar uma “Prova de Fogo” com minha nova companheira de viagem - uma Suzuki Boulevard M800 azul, 2006, 805cc - e com os equipamentos de proteção - bota, calça, jaqueta, luva e capacete - que me acompanhariam em mais uma aventura programada para 2007.
O objetivo, além de testar a resistência da nova moto e dos equipamentos de proteção, era testar a minha própria resistência. Iria realizar um deslocamento de 1.500 Km em apenas um dia, batendo o meu recorde pessoal que até então limitava-se a 640Km realizados entre Ubatuba e Curitiba no terceiro trecho da expedição Na Rota do Vento.
No dia 01 de novembro de 2006, quarta-feira véspera do feriado de Finados, deixei a cidade do Rio de Janeiro em direção a Foz do Iguaçu. O roteiro foi escolhido em virtude da condição das estradas, o que permitiria “enrolar o cabo” como dizem os motociclistas e observar o comportamento da Boulevard e o seu consumo em diferentes velocidades.
Dependendo do ponto de vista, a expedição pode ser considerada um sucesso ou um grande fracasso. Deixo pra você decidir.
O saldo:
Jaqueta e Calça – Agüentaram bem o temporal na estrada, confirmando total impermeabilidade.
Bota – Devido a um defeito de fabricação, não resistiu à chuva e já foi trocada.
Luva – Rasgou nos primeiros 600 Km, apesar de ser uma luva da conhecida marca BMW, e também já foi trocada, depois de muita briga com a BMW.
Capacete – Depois dos 300 Km, representou um grande incômodo na parte frontal, possivelmente por estar muito justo. Já foi trocado por um tamanho maior!
Problemas simples de serem resolvidos, mas que felizmente apareceram durante a Prova de Fogo. Você deve estar agora se perguntando: E a Boulevard? Agüentou?
Deixo essa foto para despertar a sua curiosidade e os detalhes contarei no próximo post. Até lá!!!

Eu e a minha Boulevard prontos para passear de reboque
Um grande abraço e boas estradas.
Rodrigo Ventura
Apoio:
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“As condições de um pássaro solitário são cinco: 1 - Que ele voe ao ponto mais alto; 2 - Que não anseie por companhia, nem a de sua própria espécie; 3 - Que dirija seu bico para os céus; 4 - Que não tenha uma cor definida; 5 - Que tenha um canto muito suave”.
San Juan de La Cruz (1542 – 1591, poeta e religioso espanhol)
A maior parte das pessoas se espanta quando digo que viajo sozinho. Acham estranho alguém conseguir ficar tanto tempo sem uma companhia conhecida. Acredito que o grande segredo para isso dar certo é ter a capacidade de estar sozinho no meio de uma multidão e conseguir se sentir acompanhado no meio de um enorme deserto. Para isso é preciso estar bem com você mesmo, ter autoconhecimento e se aceitar. Quando recebi esse poema de um amigo achei que as condições eram perfeitas para esclarecer o verdadeiro espírito de uma Expedição Solitária.
Fechando a apresentação da expedição, que deu origem ao livro Na Rota do Vento, falta ainda falarmos de cinco lugares que considero indispensáveis a um viajante. São eles:
Punta Del Este – O balneário uruguaio tem restaurantes muito bons e é uma excelente pedida para quem quer descansar. Caminhar pelo calçadão e assistir ao pôr-do-sol são programas imperdíveis. E para aqueles que gostam de cassinos a cidade também oferece boas opções!!!

Pôr-do-sol em Punta Del Este
Montevidéu – Andar pelas ruas de Montevidéu é uma rica experiência cultural. Contrastes de uma arquitetura antiga com as belezas naturais, como o Rio da Prata, formam um cenário belíssimo. Visitando a capital uruguaia não deixe de almoçar no Mercado do Porto. Apesar de inicialmente ter uma aparência bastante simples, a comida é ótima. Eu indico o El Palenque, onde comi um picadinho de frango ao shoyo com arroz ao açafrão, cebola e champignon, simplesmente dos deuses.

Cartão do El Pelenque

Picadinho de Frango ao Shoyo
Se tiver a sorte de passar um domingo por lá, siga pela Av. 18 de Julho e visite a feira Cristan Navaja. Nesse enorme mercado você pode encontrar de tudo. Vou listar apenas algumas “coisinhas”: roupas, fraldas, peixes, minhocas, ratos, aranhas, escorpiões, legumes, verduras, artesanato, ferro-velho, quadros, celulares... E por aí vai!!!
Buenos Aires – Escolha o meio de transporte que melhor lhe convier e faça todos os roteiros indicados no mapa turístico da cidade. Buenos Aires é encantadora. Alguns bairros e lugares especiais: San Telmo - o bairro mais antigo da cidade, com sua infinidade de antiquários; Retiro - o berço financeiro da cidade com imponentes prédios e pessoas correndo de um lado para o outro; Barrio Norte - lojas caras de grifes importantes e casas formidáveis; Recoleta - mais charmosa impossível; Puerto Madero – excelente para um almoço à beira do Rio da Prata e uma caminhada ao entardecer. Não deixe também de apreciar uma apresentação de Tango na Calle Florida. É de emocionar. Isso tudo sem falar na hospitalidade argentina. Esqueça esse papo de futebol e certamente você será recebido de braços abertos.

Ciudad Del Este – Na verdade não conheci muito da cidade, pois a estrada que vem de Encarnacion leva direto quase até a Ponte da Amizade. No entanto uma experiência muito interessante é visitar o centro de compras próximo a ponte. Lá você encontra de tudo com preço muito bom. Só deve tomar cuidado para não ser enrolado pelos vendedores paraguaios, afinal, por lá, vale aquela velha história: “La Garantia Soy Yo”.
Foz do Iguaçu – Na cidade temos pelo menos três passeios imperdíveis:
1 – Cataratas: Não tem igual. Podem até tentar, mas já visitei as Cataratas do Niagara, nos Estados Unidos/Canadá, e os Saltos de Laje, no Chile, e realmente a nossa não tem comparação. Passar uma manhã, ou até mesmo um dia inteiro, no parque é um belo programa.

Cataratas de Foz do Iguaçu
2 – Itaipu: Eles oferecem um ônibus que roda todo o complexo para ver a grandeza da obra que é de “cair o queixo”. Fiquei impressionado quando descobri que o ritmo da sua construção no final da década de 70, início da década de 80, foi equivalente a construção de um prédio de 20 andares a cada 55 minutos. Algo surpreendente para a época.

Barragem de Itaipu
3 – Templo Budista: Esse na verdade eu só conheci na expedição seguinte, a “Prova de Fogo”. Por isso vou deixar para a próxima!!!
Terminamos aqui a minha primeira Expedição Solitária. Foram 31 dias e 7.250 Km muito especiais na minha vida e espero que você tenha gostado de dividir alguns desses momentos comigo. Caso queira conhecer mais sobre a viagem, adquira o livro "Na Rota do Vento" onde conto todos os detalhes. Para isso basta passar um e-mail para rodrigo@expedicoessolitarias.com.br.
Recebi algumas mensagens de pessoas perguntando sobre o motivo de ter mencionado no post anterior que jamais poderia imaginar que perderia a minha “Pequena”. Eu disse que contaria depois, mas vou deixar você curioso até o próximo texto, no qual também falarei sobre a expedição “Prova de Fogo”.
Um grande abraço e boas estradas!!!
Rodrigo Ventura
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