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O final da saga da temperatura

Por Expedições Solitárias no dia 14/02/2007 às 12h26

Amigos, ao invés de, como de costume, colocar pensamentos de autores que nos levam a refletir, peço licença para um breve desabafo.

Não agüento mais sentir medo. Medo de sair às ruas, medo de me aproximar de pessoas, medo de viver.

Em menos de uma semana quatro incidentes marcaram minha vida. Ao sair do prédio da minha mãe vi um garoto chorando, pois haviam roubado sua bicicleta. Corremos e conseguimos pegar dois dos ladrões. O terceiro fugiu. O que me espanta é que os dois que pegamos tinham 8 e 11 anos; eram apenas duas crianças.

Criança também era o João, aquele menino de olhar angelical que foi brutalmente assassinado por bandidos aqui na “Cidade Maravilhosa” ou “Paraíso Tropical” e a pergunta que a mídia faz é: "E não vamos fazer nada?" Mas o que podemos fazer? Comprar armas e sair pelas ruas atirando? Nos trancar dentro de casa e esperar alguém resolver? Não, não quero isso pra mim. A revolta deve ser expressa em atos de amor e de solidariedade. A compaixão deve vencer o ódio e só assim poderemos mudar essa dura realidade.

Realidade que senti na pele na última sexta-feira, quando fui com uma amiga e um casal ver uns amigos que tocam em um quiosque na Lagoa. Quando o show terminou, por volta das três da manhã, fui pegar a moto e meu amigo pediu para dar uma volta. Ao andar pelo estacionamento, o barulho acordou uma mulher que estava dentro de um carro. Ela saiu gritando como louca que aquilo era uma falta de respeito e que eu não sabia com quem estava me metendo.

Voltou então com dois homens completamente bêbados e muito exaltados. Um deles, chamado Sandro, alegava ser policial federal, quebrou meu capacete e disse em bom tom que só não me matava naquele momento pois seus filhos estavam ali. Enquanto isso, a mesma mulher gritava dizendo que pessoas assim arrastam crianças pelas ruas. Não satisfeita, abriu a mala do carro e fez questão de mostrar três pistolas.

Na hora não senti medo ou raiva, senti apenas pena. Pena deles, pena dos seus filhos, crianças que olhavam toda a cena com cara de espantados, e de todos que imploravam para ele se acalmar, inclusive eu. A minha pergunta é: onde vamos parar? Ando com medo agora. Ele anotou a placa da moto e disse para eu tomar cuidado. Não quero tomar cuidado, quero apenas viver...

Pensando assim, fui no sábado para acompanhar, pelas ruas de Ipanema, o desfile do meu bloco de coração, Simpatia É Quase Amor. Pelo segundo ano consecutivo meu grande irmão Leandro Fregonesi ganhou o samba, samba esse que diz: "Amarra uma fita amarela, acende uma vela lilás, pro Rio desaguar num mar de paz". A festa estava completa, completa até alguém sacar uma arma e dar quatro tiros para o alto. Todos correram e nisso vi uma criança, mais uma criança, chorar e olhar para a mãe pedindo para não morrer. Ela não quer morrer, nós não queremos morrer.

Está na hora de uma atitude nos nossos governantes. Medidas a curto, médio e longo prazo precisam ser tomadas. Eu só quero de volta o meu direito de ir e vir. Quero ver crianças sorrindo com o simples desabrochar de uma flor e não espantadas, chorando, roubando e até mesmo mortas com requintes de crueldade. Por isso peço a você que faça a sua parte, tenha compaixão, reconheça a essência das pessoas e tente apenas fazer o bem, buscando assim o seu caminho de evolução.

Não agüento mais sentir medo. Medo de sair às ruas, medo de me aproximar de pessoas, medo de viver.

Bem, mas depois desse “breve” desabafo, finalmente você vai conhecer o final da Saga da Temperatura...

Depois de uns 20 minutos parado no meio do nada e sem ter o que fazer, voltei para a estrada com a luz apagada. Foi um alívio, porém mal sabia que seria apenas por um tempo, logo ela voltou a acender. Peguei um pedaço de pista liberado e consegui subir a velocidade e com isso resfriar o motor com o vento da serra. Mas mesmo assim a luz continuava acesa. Como o celular ainda não tinha sinal, a única saída era continuar. Mais a frente começou a descida e consegui ficar em ponto morto por um tempo, o que fez com que a luz apagasse novamente. Mas o pior ainda estava por vir...

Depois disso, a luz de temperatura ficou intermitente, acendendo e apagando, e, devido ao cenário, optei por arriscar e chegar pelo menos em SP. Entrando na cidade e com a luz ainda intermitente, a moto começou a morrer notei o motor sujo de óleo. Chegava ao fim a Prova de Fogo.

Parei no primeiro posto que vi, liguei para a seguradora e acionei o reboque. Em meia hora ele já estava lá e um táxi me aguardava para me trazer de volta ao Rio. Confesso, sem a menor vergonha, que ao ver aquela cena não consegui segurar as lágrimas. Foi triste!!! Queria muito viajar com a Boulevard pelas curvas da América, mas não posso arriscar uma expedição tão longa dessa forma.

Alguns podem achar que “dei mole” em ter forçado, mas já era mais de cinco da tarde, o celular não pegava e por isso tinha que arriscar... Nessas horas nosso processo de tomada de decisão fica sensivelmente afetado e nosso instinto de sobrevivência fala mais alto!!!

Chegando ao Rio deixei a moto na Suzuki e eles alegaram que tudo não passou de uma fatalidade. Trocaram as peças e ela ficou “novinha em folha”. Mas a confiança foi abalada e o próximo passo era buscar uma nova moto para a viagem.

Como tinha prometido, seguem mais duas dicas de passeio quando for a Foz do Iguaçu:

1 – Templo Budista – O lugar, além de lindo e propiciar uma bela vista da cidade, possui uma paz contagiante. Vale ir para lá, sentar no gramado e deixar o tempo correr. Garanto que você sairá com suas energias renovadas.


Templo Budista

2 – Restaurante La Rueda (Puerto Iguazu) – A melhor pedida são os pratos de peixe e para acompanhar, um bom vinho argentino. Não é um restaurante caro, apesar de ser muito charmoso e o atendimento ser de primeira.


Entrada do La Rueda


Peixe ao molho de cogumelos

Uma terceira, que não é bem uma dica de passeio, mas pra quem gosta de uma cerveja ao entardecer, vale cruzar a fronteira e tomar uma boa Quilmes em qualquer bar argentino que tenha mesas na rua. A tranqüilidade de Puerto Iguazu é convidativa para passar o tempo.


Viva Quilmes

Bem, agora começarei a falar dos preparativos para a próxima expedição, marcada para começar já no início de março. Ops, falta menos de um mês!!! Conto com a sua companhia...

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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