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A decisão e os preparativos

Por Expedições Solitárias no dia 22/02/2007 às 17h18

"Você pode ficar desapontado se falhar, mas já está derrotado se não tentar".
Beverly Sills (1929 - , soprano norte-americana)

Sempre disse isso: " prefiro mil vezes errar porque tentei ao invés de errar por não ter feito nada". Deveríamos tentar mais coisas, arriscar, buscar, sei lá... Tem um outro provérbio que diz: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez!” Muitas vezes criamos limites que não existem, limites que disfarçam nossos medos e não nos deixam buscar coisas novas. Existem pessoas que vivem nesses limites durante anos de suas vidas e quando se dão conta a vida simplesmente passou. Não deixe a sua vida passar, tente e não tenha medo de falhar. Pelo menos você tentou!!!

Nascer do sol visto da janela de casa. Bons momentos para refletir.

O mais difícil em uma grande expedição é tomar a decisão de fazê-la. Deixar tudo pra trás e sair em busca do desconhecido é algo que muitos não conseguem entender. Acho que, pra falar a verdade, nem eu mesmo entendo.

Há muito guardava o sonho de rodar a América do Sul em uma Expedição Solitária, mas não havia chegado a hora. Sabia que receberia algum sinal quando chegasse o momento certo e estava a espera deste dia. No início de 2006 rompi os ligamentos do joelho direito e fui obrigado a me submeter a uma cirurgia. Com isso fiquei 20 longos dias “de molho” em casa e aproveitei para ver e rever alguns filmes. Um dos escolhidos foi Samsara, um filme que conta a estória de um monge tibetano que sai do mosteiro para viver uma vida normal por um tempo e depois retorna. Nesse filme aparece uma frase, ou melhor, um ditado tibetano que fez com que tomasse a decisão:

Como fazer para que uma gota d’água jamais seque?

Atirando-a ao mar.

Estava na hora de me atirar ao mar. Eu estava secando. Pode parecer estranho, mas é verdade; preciso conhecer lugares novos, pessoas novas. Preciso de aventura. Alguns podem pensar que minha vida não estava nada legal para tomar essa decisão, mas estão enganados. 28 anos, gerente de uma das maiores empresas do mercado segurador nacional, um grupo de amigos verdadeiros que conseguem animar até aqueles velórios dos mais chatos, uma família maravilhosa ao lado, ou seja, tudo perfeito, perfeito até demais. Mas estava na hora de buscar o meu mar...

Decidi que a grande expedição aconteceria no ano de 2007, o meu ano sabático (como chamamos esse tipo de experiência no meio empresarial) e comecei a me preparar para tal. Foram pilhas de livros e muitas horas de pesquisa na internet. Estudo de mapas, contato com pessoas e o mais difícil, convencer a todos de que não estava ficando maluco. No meio de tudo ainda resolvi publicar o meu primeiro livro, ou seja, correria pura. Comuniquei minha saída da empresa e marcamos que meu último dia seria 02 de janeiro de 2007 e assim foi. Choradeiras a parte, foi um momento muito importante, onde pude sentir o carinho que todos tinham por mim, conquistado em apenas um ano, mas um ano de muito trabalho e de muitas conquistas.

Planejar uma expedição de um ano não é simples. Fora a parte financeira, pois não tive tempo de me dedicar à busca de patrocínio, muitos cuidados devem ser tomados, principalmente com o equipamento a ser utilizado.

Comunicação
Para comunicação de emergência, além do celular, optei por tirar uma licença de rádio amador e comprar uma unidade móvel, o alcance é baixo, mas na emergência ajuda. O processo é meio chato e demorado, até prova na ANATEL você é obrigado a fazer, mas vale a pena. Também vou levar uns foguetes de sinalização. É melhor não arriscar.

Documentação e Vacinas
A documentação foi até rápida. Renovar passaporte, carteira de habilitação internacional e seguro carta verde. O desagradável mesmo fica por conta das vacinas, odeio agulhas!!! Febre amarela, Dupla, Tríplice Viral e Hepatite B. Acho que nunca levei tanta agulhada na minha vida.

Roteiro
Optei por não fazer um roteiro rígido, quero ter a liberdade de fazer o que der vontade, mas, devido ao clima no sul do continente, tive que programar pelo menos meu tempo de permanência em cada país, não correndo o risco assim de ficar preso em estradas fechadas devido às tempestades.

Roupas e Camping
As camisas serão em tecido dry fit e personalizadas para a expedição. Foram dadas pela equipe da Trilha Carioca, a quem agradeço e muito por todo o apoio recebido. Obrigado Cadu Freitas por ter acreditado no projeto desde o início. As calças também serão em tecido leve e resistente. Consegui achar roupas de lycra revestidas com flanela que esquentam bastante quando colocadas por baixo. E, é claro, a roupa de estrada: jaqueta, calça, luva e botas foram cuidadosamente escolhidas e testadas.

Moto
Depois do problema da Boulevard, resolvi radicalizar e escolhi uma trail de baixa cilindrada para economizar no combustível e no peso, afinal estarei sozinho. Irei com uma 250 cc carburada. A moto é nova, foi direto para o Erê que tratou de prepará-la para a viagem. Novo banco, nova estrutura para bagagem e tanque extra de gasolina deram vida a minha mais nova companheira de viagem.

Recebendo a moto adaptada pelo Erê. Concordo que não está linda, mas, como diz o próprio Erê, está funcional!!!

É... O dia está chegando! Na semana passada comecei a desmontar o apartamento. Parei apenas no Carnaval, afinal não perco por nada os blocos de rua do Rio de Janeiro. Fui a oito no total: Escravos da Mauá, Concentra Mais Não Sai, Azeitona Sem Caroço, Bola Preta, Cordão do Boitatá, Simpatia É Quase Amor, Corre Atrás e Quizomba. Isso sem falar na Sapucaí, fui no segundo dia dos desfiles e me acabei!!! Pra encerrar o Carnaval com chave de ouro, no domingo tem Monobloco e depois é só acertar os preparativos finais da expedição Pelas Curvas da América.

Na Sapucaí com meu grande amigo Cadu Freitas

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

Apoio:

www.grupoviagem.com.br

www.trilhacarioca.com.br - Trilhas e treinamento empresarial.

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