Isso que eu chamo de planejamento, assim como mencionei na última mensagem, estou exatamente em Colônia. A semana foi bem tranqüila e cheia de coisas pra fazer. Deixei La Paloma na quarta e segui viagem. Em Punta Del Este fiquei impressionado com o boom imobiliário da cidade que está crescendo em uma velocidade assustadora. A Miami dos sul-americanos, como alguns chamam, oferece bons restaurantes, hotéis luxuosos e grandes cassinos, caso você goste de jogar. Mas prepare-se, pois é a cidade mais cara do Uruguai e facilmente você encontrará os preços na moeda americana.

A mão do gigante. Uma famosa escultura em Punta Del Este.
Segui pela rota 10 que recebe o nome de Rota Interbalneária e cheguei a Piriápolis. Essa pequena e encantadora cidade estava deserta por conta da baixa temporada e a maioria dos estabelecimentos comerciais tinha uma placa dizendo: “Até o próximo verão”. Passei rapidamente pelas suas ruas arborizadas, tranqüilas e segui até Atlântida.

A pequena e charmosa Piriápolis
Atlântida é tão pequena quanto Piriápolis, porem conta com a vantagem de estar há apenas 45 Km da capital do país, Montevidéu. Alguns uruguaios optam por morar em Atlântida e trabalhar na capital, mantendo assim sua qualidade de vida nessa cidade que parece ter saído de um livro de conto de fadas. Outros marcam presença em suas praias nos finais de semana ensolarados e por isso sua estrutura diária é um pouco melhor. Fui muito bem recebido na casa de uma família de uruguaios que conheci em Garopaba e passei três dias maravilhosos com eles. Atlântida não tem muito o que fazer, mas andar pelas ruas do centro e pela praia no final da tarde enquanto o sol se esconde já são ótimos passeios. Fora isso as pessoas da cidade são muito simpáticas e não fique admirado se, ao ser apresentado a alguém, essa pessoa lhe cumprimente com um beijo no rosto. O beijo é um costume dos uruguaios, mesmo entre homens. Mas não se preocupe, você não vai virar “boiola” por retribuir, afinal cultura é cultura e deve ser respeitada em qualquer parte do mundo.

Pôr do sol em Atlântida
Depois de ser muito mimado pelos Lanza, segui para Montevidéu e logo senti a diferença. A última cidade grande que passei foi São Paulo, de onde saí no dia 31/03, ou seja, mais de 20 dias em lugares tranqüilos. Cruzei a cidade em direção a Cidade Velha, o bairro histórico de Montevidéu, onde fiquei hospedado em um albergue por 270 pesos uruguaios, algo em torno de R$ 25,00. Um pouco salgado para o orçamento, mas era isso ou dormir embaixo do cavalo do General Artigas na Praça da Independência e torcer para não ser preso, pois o cara no Uruguai é mais importante que santo. Fiquei no albergue!!!
O albergue é muito bem localizado, pois fica na entrada da cidade velha, limite entre a zona perigosa da cidade e a noite na agitada Bartolomeu Mitre, rua que abriga a maioria dos bares e boites de Montevidéu. Outra coisa... Caso um uruguaio lhe faça um convite para ir a um boliche, não pense que passará a noite derrubando aqueles pininhos, pois boliche por aqui são as boas e velhas boites que, por sinal, só começam pra valer por volta das duas da manhã. Êta povinho pra gostar da noite...
O domingo é um ótimo dia para o turismo na capital. O primeiro programa foi re-visitar a feira Christan Navajo, uma das mais tradicionais não só de Montevidéu, mas de todo o Uruguai. Lá você pode encontrar de tudo, mas também pode perder, perder sua bolsa, sua carteira, seu celular, por isso é bom ficar de olhos bem abertos.

A tumultuada feira Christan Navajo em Montevidéu
Peguei um ônibus até o Mercado do Porto para me deliciar em um de seus belos restaurantes. Um programa imperdível para quem gosta de apreciar bom pratos a preços justos. O difícil é escolher o restaurante, são várias as opções, mas não se preocupe, você não vai se decepcionar.

O autêntico assado uruguaio sendo preparado em um dos restaurantes do Mercado do Porto em Montevidéu
Continuando o dia turístico peguei outro ônibus e fui para o famoso estádio Centenário, pois hoje era dia de clássico no campeonato uruguaio: Nacional x Liverpool.
Mas é claro que o aventureiro trapalhão não poderia deixar essa passar em branco. Chegando no estádio, comprei o ingresso, R$ 3,60, na primeira bilheteria que vi e entrei. Só na arquibancada é que me dei conta que estava na torcida do Liverpool, mas até aí tudo bem. Uns dez minutos antes do jogo começar notei que alguns torcedores olhavam pra mim e comentavam alguma coisa. Mas estava tudo tão tranqüilo que não dei muita atenção. Só descobri o motivo quando os torcedores do Nacional, em número bem maior por sinal, levantaram suas bandeiras nas cores azul e vermelha, exatamente a cor da camisa que eu estava vestindo. Na hora não sabia se ria ou se chorava, mas tratei foi de colocar o casaco e fechar até a gola para não correr o risco de ser linchado em pleno estádio Centenário.

Estádio Centenário
O Nacional acabou ganhando por 2 x 1 e de lá peguei um ônibus para ir até o Montevidéu Shopping, para o último programa do dia. Dei uma volta pelos apertados corredores e fui direto para o cinema assistir a um filme. Cheguei morto no albergue as onze da noite, mas feliz por ter feito um belo dia turístico na capital.
Na segunda aproveitei antes de partir para andar pela 18 de julho, a rua mais movimentada de Montevidéu, com um grande número de lojas e de gente andando pelas calçadas, e assim me despedir dessa grande cidade.

Praça da Independência com a Av. 18 de julho ao fundo
Entrei na estrada e contei com a companhia da chuva e do vento gelado em todo o percurso, mas fui recompensado pelas belezas da cidade de Colônia Del Sacramento, a oeste do Uruguai, a beira do Rio da Prata e há apenas 50 quilômetros de Buenos Aires, uma travessia que deve ser feita de barco.
Em Colônia os melhores passeios são andar pelas agradáveis ruas do centro histórico, subir no farol, andar de bicicleta pela “rambla” que margeia o Rio da Prata, visitar a pequena feira de artesanato e assistir ao pôr do sol na beira do rio. Tendo feito isso você pode dizer que conheceu Colônia. Para apreciar a boa culinária, a pequena cidade também oferece bons restaurantes e para ficar por aqui você pode contar com uma boa estrutura de hotéis a todos os custos.

Uma, apenas uma das belas ruas do centro histórico de Colônia Del Sacramento
Um grande abraço e boas estradas,
Rodrigo Ventura
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